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March 18 2012
calamidade diária
Com o perigo de sair de casa se batalha pelo salário mensal. Forçaram as pessoas e conseguiu-se a fraqueza disseminada. Os anciões não foram respeitados, os príncipes ficaram abafados pela banalidade. Meninos tropeçam sob tantos absurdos. Os velhos já não sentam nas calçadas, os passáros já não são ouvidos. Cessou a voz do coração, perdeu-se o destino da caminhada. Todos estão cansados e já não tem descanso. Todos são só sorrisos, já não conseguem chorar.
Desmaiaram os corações, por isso se escureceram os olhos.
January 13 2012
Caminhar em dezembro
Ando pelas ruas exausta e feliz. Duas palavras amigas, não são opostas nem contraditórias, não mesmo. Ando com uma dormência gostosa de sentir nas pernas, amortece. Ando com os braços cansados do peso da mudança que carregavam. Agora livres. Olhos entreabertos. Longas piscadas em que se fica segundos de olhos fechados sentindo a brisa vindo de encontro ao rosto. Deito atrapalhada e espatifada na grama fofa, descanso. Me sinto agradecida, verdadeiramente. Ansiosa, pelo que vem à frente.
November 06 2011
O que mora no vãozinho de um momento?
Penso que essas delicadas entrelinhas que moram nos momentos são pra gente ficar lembrando depois com um sorrisinho no canto da boca quando se olha pro teto.
Essas pequenices são dotadas de uma grandeza sublime e um significado que intriga.
É fato que há um mecanismo nessa vida que nos condiciona ao comum. Precisamos desse mecanismo funcionando. Mas, afirmo que é preciso se concentrar mais no vãozinho dos dias. O fino fio da meada do acaso. O que te diz algo e você nunca escuta.
Tudo que é misterioso muito me interessa. Tudo que me provoca, que me tira do lugar é bem-vindo. O que não é comum a todos, o que não é visto a olhos sujos com toda a poluição que o mundo tem, é essencial.
October 17 2011
Consecutivos
O céu se dividiu em degradês. A menina debruçada na janela nem piscava olhando para aquele horizonte colorido. Sorriu.
O violão emitia acordes doces. O casal de velhinhos ao andar praça entrelaçaram seus dedos. Beijaram-se.
O dia amanheceu. O mar calmo, gelado e enorme envolvendo seus pés o convidavam. Mergulhou.
A saudade veio visitar novamente. Pela janela as ruas desertas e iluminadas mostravam um único caminho. Dirigiu.
Uma porta nova se abriu. Entrou numa atmosfera de novas manias, novos jeitinhos, novas cores e amores. Recomeçou.
June 21 2011
Sentada nas ruínas
Você já olhou no fundo dos olhos de alguém e não enxergou nada lé dentro de tão obscuro? Eu não consigo olhar dentro de você, você pode clarear seu coração, por favor? Assim não enxergo nada…
Há 10 anos, esse espelho me vê em prantos. E o que sustenta esta que fica firme em pé com as unhas cravadas entre os cabelos é a FÉ que eu tenho em Deus. Só. Nada nesses meus dias me mostra uma saída (pelo contrário!) mas, ela está em alguma portinha obscura nesse castelo de cegos. Eu sei que está.
É uma fase difícil, e a vida também é ficar triste. E ficar triste não é nenhum crime nem motivo de vergonha, que fique claro! Não sou de medir intensidade de tristeza, mas hoje choro com uma alma e um peito sangrando. Olho pra todo esse amor destroçado por algo que te leva pro fundo do poço. Mas eu sei que há um fiozinho. Você não quer mais me ouvir.
Sabe, eu aprendi a me proteger de você. Criei convicção o bastante de quem eu sou para ter um escudo contra as ofensas que dirigia à gente. Por que é isso que eu tenho: a dimensão da minha convicção sobre quem sou e que Deus está comigo. Isso determina os níveis de minha proteção ou fragilidade.
A duras penas, eu tenho descoberto que não posso mais fazer nada por você por mais que te ame. Você precisa escolher ser feliz e fazer a gente feliz. Você precisa transpassar as muralhas derrubando-as e construindo muros. Você precisa fazer um inventário dos seus fantasmas. Seus traumas estão encrustados na sua alma e você precisa reagir! Lembra da história da águia que me contava antes de dormir? Ela arrancava as suas próprias garras no alto da montanha, isolada, e nasciam outras novinhas em folha. Assim ela poderia voltar a caçar e não morrer de fome. Você é minha águia. Eu rezo todos os dias para que Deus faça você renovar as suas presas para poder voltar a caçar. Caçar os seus sonhos!
Chegamos até aqui e a nossa trajetória é admiravelmente complexa, escrita com lágrimas e sorrisos. E o melhor de tudo é ter a certeza que podemos recomeçar! Eu e todos, vamos ficar esperando por você pra fazermos isso juntos. Precisamos aprender a garimpar os ouros no solo dessa nossa história, com base nisso, nos superar. Preciso que você venha.
“A não ser que façamos outras conexões, a dor piora, o medo traumatiza e a culpa te asfixia.”
Eu sou forte e paciente.
Vou estar à sua espera. E, acima de tudo, te amo.
Renata
June 09 2011
Os Assaltantes
Certos momentos nos assaltam onde estivermos e eu só aprendi me assustando com eles. Logo eu erguia os braços, precipitada, deixando o suposto assaltante levar tudo, tola, nem esperava pra ver o que ia acontecer. A verdade é que eu queria acabar logo, saber o final, ansiosa. Leva tudo rápido, moço!
Eu era medrosa, desconfiada, não queria parecer vulnerável ( já parecendo). Nunca queria levar nada pra frente então gastava o ‘zap’ na primeira rodada como a jogadora mais malandra. Mesmo correndo todos os riscos possíveis e expondo o ponto mais forte que eu poderia ter, eu fazia. E, em seguida, levava o jogo com as cartas que tinha no momento, e o momento me assaltava de novo, levando partes de mim. Doía. Eu não me sentia capaz de continuar esse jogo, de levar adiante e ter um final glorioso.
Até que um belo dia, um momento me assaltou novamente, e me levou tudo, tudo mesmo. Os meus limites, a minha ansiedade, o meu medo, o meu receio e descrença. Pois é. Tive que viver (e viver muito!) pra ganhar tesouros novos e que realmente me fazem feliz: outros momentos, outras paixões. Pra acumular esses bens, Vinícius de Moraes era mestre: ele zerava-se. Poeta que sabia viver.
Se você for uma pessoa tola como eu fui, acorde. Deixe-se assaltar, desapegue. Não sobreviva, viva. Não tenha medo. Ninguém é muita areia pra ninguém. Nada é tão complicado que não possa ser simplificado. Nada é além daquilo que é: inesperados momentos prontos a nos surpreender com nossas próprias reações.
May 20 2011
As estrelas de Minas
Já viu ou ouviu falar do céu de Minas? É hipnotizante e intrigante. É claro e brilhante como os olhos de uma garota sonhadora.
Eu e minhas primas sempre saímos nos sábados de férias em Minas. E eu, sempre me arrumava mais que depressa pra sair. Isso porque eu sempre achei uma perda de tempo ficar mudando meu cabelo para algo que ele não é, colocando sapatos para me deixar com uma altura que eu não tenho ou pintando meu rosto com cores que não são minhas. Eu era clara em atitudes e estilo. Eu era aquilo que qualquer um podia ver a olho nu, sem tirar nem por.
Enquanto minhas primas demoravam e se enrolavam entre secadores, maquiagem, chapinhas e saltos muito altos, eu as esperava lá fora com meu avô que contava a história das constelações de estrelas do céu perfeito e estrelado de Minas Gerais. O céu claro que se mostrava ser brilhante para qualquer um que quisesse ver a olho nu, sem tirar nem por.
Hoje eu já não tenho meu avô, eu mal encontro minhas primas pra esperá-las pra sair, e eu desconfio que ando me escondendo tanto, que nem eu nem ninguém pode me ver a olho nu.
Clarear!
March 12 2011
Iminência
Minha cabeça está cheia de lembranças de outrora. E, se alguém pudesse assistir a essas lembranças bem como eu as relembro, certamente diria que adoraria ter vivido tantos fatos emocionantes e conhecer tantas pessoas cativantes. São memórias que eu poderia ficar uma semana apenas de olhos fechados relembrando e, ainda assim, seria uma semana surpreendente.
…uma parte da vida é a que a gente já viveu. A outra, a espera do que está por chegar e não se anuncia.
Eu não quero mais renunciar a nada que esteja no segundo seguinte me esperando pra sorrir.
February 28 2011
Paz!
O primeiro senso depois da avalanche foi a fuga. Antes um medo e depois uma fuga. E aí veio o tempo. Tempo pra pensar, pra ajustar o coração, pra organizar a cabeça…
O tempo foi remédio, foi colo e hoje é um abraço no futuro. Aqui dentro da cabeça, às vezes as imagens vêm sem avisar e eu até as deixo fazer uma visita. Imagens de um futuro.
Pelos dias vou levando um de cada vez. Deposito esperança em todos eles. A graça de preencher os pensamentos de sonhos e encher a boca de sorrisos. De se deixar viver.
Pelas noites eu reacomodo a liberdade nos meus passos de dança. Procuro por espaços pra que a vida não me aperte tanto. Encontro surpresas nos ritmos que me embalo.
E o espaço vazio de dentro foi preenchido por algo novo, dando lugar a uma euforia mágica: de tanto procurar, achei o valor de encontrar a paz de me pertencer. E, quem sabe assim, pra ser de alguém.
December 10 2010
23
Despertador tocou. Abri os olhos: 23! Talvez foi o primeiro dia da minha vida que,ao acordar, tive no meu primeiro pensamento números (e não imagens). E esse foi o primeiro sinal de muita coisa.
Hoje é o primeiro dia do meu 23º ano de vida. O marco. Um portal.
9 de Dezembro de 2010 me trouxe, principalmente, lindas surpresas, memórias incríveis, inclassificáveis aprendizados, abraços gostosos e muitas, muitas palavras.
A mais falada delas: aniversário. Dentro de um presente lindo, li que aniversário (do latim, anniversaria) significa “aquilo que volta todos os anos”.
Neste mesmo presente li: Renata, também do latim, “nascida novamente, ou renascida”.
‘Aquilo que volta todos os anos’ veio me fazer olhar pra dentro e me lembrar que o que trago comigo na minha essência é a minha renovação. O ano 22 da minha existência foi mesmo um portal. Foi desenrolado na intensividade dos momentos, sem pudores ou cuidados com os efeitos colaterais. Foi uma esteira impossível de desligar e não pude exaurir. Foi a minha morte em chamas com apenas uma saída de incêndio, pra vida. As condições me obrigaram a fazer escolhas dolorosas e rápidas ao me ensinarem a me amar e correr pra longe do fogo. Pra frente.
Tantas linhas neste capítulo, 0 22. O momento é de refletir um bocado.
Contudo, mesmo sem conclusões, de hoje em diante essa mulher que vos escreve vai seguir ainda mais firme e decidida na construção da felicidade. Continuarei me renovando a cada dia. Continuarei sendo o que sou na mais pura essência. Não sei qual é o meu destino mas estarei onde meu coração bater mais forte e farei o melhor que eu puder. Aprendendo dia a dia. Comigo, com você, com as crianças e com eles.
Ah, e claro, PRECISO desmistificar algo: esse negócio que só se aprende com o sofrimento é pura mentira! Todo valioso aprendizado é resultado de uma soma de fé e amor. Simples assim mesmo.
Fé + amor = 23.
November 30 2010
Uma noite n’aquele Agosto
E você foi pra noite fria. Trocou o chip e foi. Encontrou o anjo como você inventou na hora.
Ele disse coisas mágicas, mas que no fundo você poderia já saber. No começo você não queria aceitar, mas foi preciso. Enquanto isso o moço alto levava um fora, o nerd fechava mais uma fase no fliperama e a moça de cabelo ruivo perdia a tarraxa do seu brinco.
Você só desejava estar com uma pessoa ali. Sair correndo e encontrá-lo, abraços, beijos pra esquentar o frio. Mas, não. Mais.
Tem saudade que começa e você não sabe se vai terminar.
“Ele te magoou muito. Doeu na proporção do que você construiu dentro de você pra ele. E você não merecia sofrer, mas precisava aprender. Saiba: você foi feita pra ser feliz. Encantadora, isso que você é. Te admiro pela sua força em sangrar e tirar o que não te faz feliz da sua vida… Isso é se gostar.”
Eu já te disse também. Sempre soube que você se gostava, você só precisava praticar isso sem ter medo de magoar. Porque o ‘ser pra ser’ não depende de ninguém e não é passível da interferência de ninguém, nem sua.
O próximo segundo é irreal. Você poderá muitas coisas. Decida.
Você poderia estar sonhando com ele, procurando-o, voltando atrás, mas você é diferente. Está aqui tentando ser feliz a cada tic deste relógio, buscando o certo a cada piscar, curtindo o agora como ninguém faria melhor. Como prometeu a si mesma que faria. Fascinante.
Naquela noite fria você ouviu palavras de um desconhecido. Você o ouviu por uma hora repetindo o quanto você é encantadora, charmosa, simpática, e que sabia viver a vida. Ele não tinha idéia do impacto das palavras no seu coração. O anjo, como você inventou na hora. Enquanto isso, o bêbado ainda tentava acertar a bola branca pra depois acertar uma colorida qualquer. E a irmã cega curtia a vibe dela. Paralelamente.
No fundo eu sei que você só queria que fosse a hora. Mas nunca se tem garantia, tudo é por um fio (de esperança?). E essa é a graça.
November 23 2010
E a vida?
A vida, além de bela?
Ah… A minha casa ainda continua em reforma e com tanto pó que é difícil ver alguns móveis então eu os cobri (assim como algumas partes em mim). Acabei aproveitando e comecei uma arrumação do meu quarto ao mesmo tempo que arrumo a vida.
Lá fora da casa em reforma os velhos casais ainda estão juntos, novos se formaram, outros terminaram. O sol e alguns acasos continuam me fazendo acordar com cada vez mais vontade de saber o que vem pela frente.
Eu mudei tanto. Outros mudaram tanto. Os amigos continuam os mesmos de sempre, e lá me esperando com seus colos e ombros, onde me encaixo como tetris e faço bom uso (graças a Deus!).
Ando frequentando mais shows do que aulas na época da faculdade.
Ando me entregando pro som, pra experiência, para as melodias que a alma ouve e sorri.
Ando apreciando o momento de cada sabor.
Ando devorando um livro por semana. Nas épocas mais corridas, um por mês.
Ando. Tenho andado muito. E pra frente.
Ah, sim! E pra provar que por mais que as pessoas mudem, há coisas nelas que não há o que faça mudar, eu tive a audácia que nunca tive e radicalizei o cabelo! E, logo em seguida, só pra comprovar a teoria perdi mais um celular, o 8º.
O que eu tenho a dizer sobre tudo isso?
De tempos em tempos eu quero mesmo é que as pessoas a percam seus celulares. É preciso abandonar esse aparelho que nos liga com o mundo no qual temos sempre os mesmos números discados gravados na memória recente, os mesmos sms e a mesma composição de nomes na agenda.
De repensar nos atalhos das teclas que acabam nos levando sempre às mesmas ligações. De sair por aí e colocar contatos novos.
Faça sem medo. Vou te contar um segredo: quem tiver que ficar fica, e não importa se você perdeu o telefone dela. Tem coisas que estão além do alcance da tecnologia.
A vida, além de bonita?
Bem, ela me faz pensar e meus pensamentos me pregam peças. Talvez lá no fundo eu estivesse esperando por algo que não era pra vir, pelo menos não naquele momento e nem da forma como imaginei. Mas, aí o tempo passa. Se acha uma caixa pra se jogar tudo dentro e guarda-se no passado com o que é pra ficar lá. E os fatos que se sucedem por si só, trancam essa caixa e te libertam pra vida. Aquela vida, a bonita.
Sabe, não dá pra explicar o que não se entende. E eu não entendo muito do que está acontecendo agora. As coisas estão assim como elas estão, mas não quer dizer que as são.
Eu posso sumir, esconder, desaparecer. Posso aparecer. Estar do seu lado e não estar lá. Tenho a consciente ilusão de que ficando sozinha e acompanhada, isolada e rodeada de amigos, algumas coisas vão passar mais rápido. E eu sei que não é verdade, mas também não é desleixo. Uma verdade eu posso dizer: eu não quero que ter que responder perguntas sobre o que eu não entendo.
É preciso displicência para brincar nos ares.
November 07 2010
Enquanto os olhos piscavam
O Sol brilhava em 7 cores sobre as gotas de chuva. Eu enchia meus pulmões de ar e esperança com o lembrete que aquele espectro colorido me trazia: mesmo que só chova, o Sol ainda pode chegar trazendo um presente mágico. E fascinante é a ironia de ter a certeza de que se não houvesse o nublado tempo de chuva, não existiria espetáculo tão lindo… E colorido!
November 01 2010
Porque o mundo vez por outra fica absolutamente sem palavras
Nenhum texto.
Nenhuma rima.
Nenhuma inspiração.
Escrevendo do melhor lugar do mundo: suficientemente alto e que traz uma brisa leve juntamente à vista do mais lindo arco-íris numa tarde em Minas Gerais.
Só viva(!) E feliz.
Praticando a simplicidade e fazendo o coração sorrir.
Como se o fim decididamente fosse o eterno começo sem culpa, sem dor, sem medo.
Como o vento leve desses que chacoalha as cortinas e despenteia os cabelos das mocinhas na praça.
Só felicidade.
E nada de ofensa.
October 17 2010
Pausa pra esticar as pernas
Quem diria que estaria aqui, funcionando bem à minha maneira? E com este gosto musical, com essas cores nas unhas, com essa cinefilia amadurecendo, com essa entrega aos momentos nessa parada temporária na estrada pra apreciar a vista? Ninguém diria.
Parada na estrada, dessas quando você faz uma viagem longa e para pra esticar as pernas. Aqui ouço histórias, observo as pessoas a minha volta, é como se tudo estivesse em uma desenfreada marcha lenta. Olhos fixados no céu. Um sorriso de esperança marca o meu rosto ultimamente. Uma esperança gostosa de ter. Ela me faz companhia e me deixa curtir mais o silêncio quando não passa carros. Ela é um toque especial na paisagem que eu estou apreciando aqui sentadinha sob o sol.
Nesse tempo aqui parada, inerte, as pessoas me distraem com suas histórias. Eu ouço todas atentamente. E a que mais me deixou pensando era a do homem que não conseguia não se apaixonar. Ele era um apaixonado nato, não passava um dia naquela estrada sem me contar de uma paixão nova, de um flerte interessante, de uma mulher encantadora. Ele me divertia. Enxergava beleza e toques especiais em cada uma de suas “donzelas”, como ele as chamava. Certo dia eu o questionei se ele já havia amado de fato uma delas. E ele me devolveu uma pergunta: o que é amar de fato?
Eu comecei a pesquisar. Perguntando entre as pessoas que passavam, nos livros, nos filmes, nas músicas, no Twitter, no Google…
E quando em meio ao tráfego de dados online um link simpático me trouxe a essência do que eu buscava:
“Amar com os olhos abertos: o amor é a simples alegria pela existência do outro. Não é possessão, nem felicidade necessariamente. E por isso “com os olhos abertos”. O amor cego não aceita o outro verdadeiramente como ele é.”
Expliquei pro apaixonado nato. E de novo ressalto a questão: quem diria que eu um dia explicaria o que é amar pra alguém? E de novo a resposta: ninguém.
Concordando com o link simpático, eu acho mágico estar apaixonado sabia? Por isso o apaixonado nato que passava todos os dias na estrada me encantava tanto. Mas me preocupa saber que muitos preferem a intensidade superficial à profundidade de algo duradouro. Me pergunto como as pessoas pensam em ficar somente nisso? Qual o sentido de estar apaixonado perdidamente o tempo todo?
Penso que é uma questão de maturidade.
Também tem a ver com a nossa sociedade, que adora emoções intensas. As pessoas procuram correr mais rápido, chegar antes, desfrutar intensamente. Globalização.
Quer saber? Eu não quero mais assim. Por ora ficarei aqui na inércia da beira da estrada, sentada de pernas esticadas, curtindo a esperança gostosa e o sol, que é pra pegar uma corzinha. Ando muito branca mesmo.
September 21 2010
September 15 2010
Imparidade do ser
Lá fora:
Todos correndo. Inquietos, pra lá e pra cá. Buzinas. Não param, não respiram. Busca incessante. Idas e vindas. Palavras ao vento. Promessas não cumpridas. Sonhos que não se tornam realidade, ansiedade. Felicidade do momento. Pedido de casamento. Desejos não saciados. Composições. Diferenças sociais. Alegria extrema. Mentiras. Verdades. Reclames. Artifícios. Vícios. Relógio, o inimigo. Fone de ouvido, o amigo. Frustrações, enganações. Porres. Passatempos sexuais. Sorte e Azar. Bailes de máscaras. Revelações. Incertezas. Partos. Declarações de amor. Vontades que dão e logo passam. Explosões de emoções. Falta de fé no ser humano. Filosofias impraticáveis. Risos e choros [...]
Aqui dentro:
Um universo sereno de silêncio contido em uma fase ímpar da vida quando nada precisa ser dito, só sentido na frequência dos batimentos cardíacos e do vento na janela desse sobrado.
September 02 2010
No pé do ouvido
Me dizem que é a hora
Coisas que eu nem sei se estão
No vazio ou na memória
É a vida anda a mil eu sei,
Quanta escolha fica fora, sem vez
Não, não quero nem falar não só de lua e solidão
Lanço na maré o coração
Que de amor e de dor nos ensina
Como todos querem ter de que o que está por trás
É bem mais que água e pão
Bem mais que o sim e que o não
Que vale a pena estar aqui agora
Pra que se desesperar o coração verá
Viver é navegar é só deixar fluir
Pra que se desesperar o coração será
É só botar pra correr
Deixar o barco ir
Pra que se desesperar o coração verá
Viver é navegar é só deixar fluir
Pra que se desesperar o coração será
É só sorrir, cantar, olhar pra frente e agir
Deixar o barco ir
Dani Black: http://twixar.com/WpQ
September 01 2010
Anestesiada
Era um novo sentimento, uma nova idéia e dentro dela a velha esperança que escapou entre os dedos.
Procurava o conforto do travesseiro. Virava de um lado pro outro até ficar cansada de reviravoltas, e dormia.
E quando se dorme com o coração partido, acordar é a pior parte. Pela manhã eu não levantava, eu rolava pela cama e caía direto de joelhos ao lado dela, e rezava por uma máquina do tempo.
E assim as primeiras noites encontraram os dias seguintes. E passaram.
Dizer que 2010 tem sido bacana comigo me faz dar risada. Sem ironia, dou risada mesmo! Rir muito: de mim mesma, dos outros, de piadas, de boba-alegre, da maneira como eu expulso essa saudade que eu sinto aqui dentro. Sorrisos ainda preenchem meus minutos.
Por baixo disso tudo, lá no fundo, sinto meus pés longe do chão, como se eu flutuasse numa realidade que não é mais minha, sabe? Astronauta. É como se eu fosse inatingível por estar em uma outra dimensão: a dos corações amortecidos. Me sinto mais perto da minha fé daqui, porém, um pouco longe de uma realidade que eu me conforme. A melhor parte daqui: não tenho mais vontades a não ser as fisiológicas. Sou capaz de ficar horas deitada na cama olhando a imensidão desse céu, e não pensar em nada.
Relaxe! Embora possa parecer triste, pra mim é indiferente, eu não mais me interesso pelo que sinto. Apenas deixo isso aqui em algum canto, pode ser útil lá na frente, agora não importa. Guardo o coração no bolso e vivo com a serenidade. Faço só o que eu quero, como bem entendo, devagarinho. Isso aprendi depressa.
A calma preenche meus dias e me protege como um escudo.
E é assim que é, e é assim que vai ser.
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