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January 13 2012

03:01

Caminhar em dezembro

Ando pelas ruas exausta e feliz. Duas palavras amigas, não são opostas nem contraditórias, não mesmo. Ando com uma dormência gostosa de sentir nas pernas, amortece. Ando com os braços cansados do peso da mudança que carregavam. Agora livres. Olhos entreabertos. Longas piscadas em que se fica segundos de olhos fechados sentindo a brisa vindo de encontro ao rosto. Deito atrapalhada e espatifada na grama fofa, descanso. Me sinto agradecida, verdadeiramente. Ansiosa, pelo que vem à frente.


November 07 2010

06:13

Enquanto os olhos piscavam

O Sol brilhava em 7 cores sobre as gotas de chuva. Eu enchia meus pulmões de ar e esperança com o lembrete que aquele espectro colorido me trazia: mesmo que só chova, o Sol ainda pode chegar trazendo um presente mágico. E fascinante é a ironia de ter a certeza de que se não houvesse o nublado tempo de chuva, não existiria espetáculo tão lindo… E colorido!


October 17 2010

00:48

Pausa pra esticar as pernas

Quem diria que estaria aqui, funcionando bem à minha maneira? E com este gosto musical, com essas cores nas unhas, com essa cinefilia amadurecendo, com essa entrega aos momentos nessa parada temporária na estrada pra apreciar a vista? Ninguém diria.

Parada na estrada, dessas quando você faz uma viagem longa e para pra esticar as pernas. Aqui ouço histórias, observo as pessoas a minha volta, é como se tudo estivesse em uma desenfreada marcha lenta. Olhos fixados no céu. Um sorriso de esperança marca o meu rosto ultimamente. Uma esperança gostosa de ter. Ela me faz companhia e me deixa curtir mais o silêncio quando não passa carros. Ela é um toque especial na paisagem que eu estou apreciando aqui sentadinha sob o sol.

Nesse tempo aqui parada, inerte, as pessoas me distraem com suas histórias. Eu ouço todas atentamente. E a que mais me deixou pensando era a do homem que não conseguia não se apaixonar. Ele era um apaixonado nato, não passava um dia naquela estrada sem me contar de uma paixão nova, de um flerte interessante, de uma mulher encantadora. Ele me divertia. Enxergava beleza e toques especiais em cada uma de suas “donzelas”, como ele as chamava. Certo dia eu o questionei se ele já havia amado de fato uma delas. E ele me devolveu uma pergunta: o que é amar de fato?

Eu comecei a pesquisar. Perguntando entre as pessoas que passavam, nos livros, nos filmes, nas músicas, no Twitter, no Google…

E quando em meio ao tráfego de dados online um link simpático me trouxe a essência do que eu buscava:

Amar com os olhos abertos: o amor é a simples alegria pela existência do outro. Não é possessão, nem felicidade necessariamente. E por isso “com os olhos abertos”. O amor cego não aceita o outro verdadeiramente como ele é.

Expliquei pro apaixonado nato. E de novo ressalto a questão: quem diria que eu um dia explicaria o que é amar pra alguém? E de novo a resposta: ninguém.

Concordando com o link simpático, eu acho mágico estar apaixonado sabia? Por isso o apaixonado nato que passava todos os dias na estrada me encantava tanto. Mas me preocupa saber que muitos preferem a intensidade superficial à profundidade de algo duradouro. Me pergunto como as pessoas pensam em ficar somente nisso? Qual o sentido de estar apaixonado perdidamente o tempo todo?

Penso que é uma questão de maturidade.

Também tem a ver com a nossa sociedade, que adora emoções intensas. As pessoas procuram correr mais rápido, chegar antes, desfrutar intensamente. Globalização.

Quer saber? Eu não quero mais assim. Por ora ficarei aqui na inércia da beira da estrada, sentada de pernas esticadas, curtindo a esperança gostosa e o sol, que é pra pegar uma corzinha. Ando muito branca mesmo.


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